segunda-feira, 14 de maio de 2012

Trabalha em quê?


Por mais estranho que isso pareça as vezes, minha formação é em Educação Física e na minha breve atuação em sala de aula, eu também já ouvi a pergunta clássica que certamente todos os meus colegas de área escutaram alguma vez, a tradicional "Além de dar aula você trabalha em que, professor?". Eis o mal de trabalhar onde todo mundo “se diverte”.

Mas minha paranóia é dessa frase ao contrario. Sempre foi. Além de trabalhar você faz o quê? Sempre tive esse psiquê, acho que talvez de ver um pai se matando de trabalhar para nós, como foi o meu saudoso e exemplar pai. Apesar de achar respeitável tudo que ele fez, meu grande medo na vida é de ficar assim. (Filhos, sempre querendo fazer diferente dos pais, né?!) Mas é verdade. Eu nunca "só trabalhei". Me parece tão medíocre só fazer isso, saca?! Eu preciso de atividades paralelas. De periodicidade. De turma. De classe. E assim sempre foi. Eu sempre trabalhei + e alguma coisa. Estou a uma madrugada de terminar mais um curso, uma pós graduação, passo importante no meu currículo e uma baita realização, como pessoa. Claro, estou feliz e orgulhosa de mim mesma. E em pânico. Sim, pânico. Afinal é um vinculo que se vai, mais uma vez. Não tenho mais uma "classe", uma turma, tarefas para entregar que não sejam para o meu chefe. Não ter nenhuma obrigação fora meu próprio emprego me assusta. Sem filho pra criar, sem nada pra terminar, só com a medíocre obrigação de trabalhar pra pagar as contas, voltar pra casa e ver jornal nacional. Scary, como alguém consegue ser assim? Não quero, espero nunca não querer. Se é um mestrado, um curso de corte e costura, de tarot, historia da arte, ballet ou aulas de circo, eu não sei.  Mas “Além de dar aula”, eu quero sempre alguma outra coisa.


quarta-feira, 25 de abril de 2012

Run baby, run

Sempre falta tempo. Pra tudo. É impressionante. Já vai fazer quase um mês que eu não escrevo aqui por exemplo, embora em umas duas ou três noites de insônia eu tenha escrito uns textos razoáveis. Mas não deu tempo de postar. Assim como não deu tempo de conversar com a gerente do banco hoje. E nem de fazer a unha. Raramente dá tempo de ficar com a família. Ouço essa reclamação quase diariamente. Mas eu mal tenho tempo de dormir, quem dirá de ficar acordada em casa. Falta tempo para treinar direito, afinal nunca dá tempo de chegar na academia no horário certo. Inclusive nunca dá tempo de cumprir o horário certo de nada. Estamos sempre atrasados, tentando correr atrás do prejuízo. Se cada corrida atrás dos meus prejuízos valessem por atividade física, eu estaria muito em forma. E não estou. Porque dieta também demanda tempo para cozinhar direito, e agora só dá pra passar no fast food. E comer dentro do carro, dirigindo. E ir ao médico também não dá, é longe, tem trânsito e demora demais. Posso correr com todas as outras coisas enquanto isso. Falando nisso, ontem eu fiquei doente, e perdi o maior tempão dopada dormindo. Mas foi bom, porque eu andava meio sem tempo de dormir, virando madrugadas. Só que agora vai faltar tempo para todas as outras coisas, porque eu vou ter que compensar esse tempão todo que eu perdi. Tá corrido, tá foda. É isso que eu respondo para todas as pessoas que perguntam se eu estou bem. E recebo a mesma coisa de volta. Correria, né? Tá corrido em casa, na vida, no trabalho. Não dá pra ver os amigos, pois todos assim como eu, estão sem tempo. Eu não chego a tempo da aula, se eu quiser estudar. E também ando correndo com as coisas do trabalho. Mas ninguém tá dando conta, menos mal. Estão todos corridos. Namorar também não rola, isso consome tempo demais de quem vive correndo. Talvez uma rapidinha, mas b-e-m rapidinha mesmo. Senão atrasa tudo. Tudo que já está bem atrasado. Tudo que a gente tá sempre devendo. Devendo pro relógio, pro cosmos, não sei pra quem exatamente. Eu só queria um tempinho pra pensar como tirar essa culpa do atraso de dentro da gente. Mas agora não vai dar tempo de pensar nisso não. Tenho que correr, me atrasei toda escrevendo esse texto.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Tudo novo. De novo?


Essa coisa de inovação tem horas que me irrita. Já não é de hoje que inovação é a palavra da vez. Curso de inovação, textos sobre inovação, técnicas de inovação. No mundo empresarial, inovar para o cliente é regra e o caso oposto é certeza de morte. Todo mundo só fala disso o tempo todo e é uma corrida infinita em busca do novo, do diferente, do inusitado.

Mas aí eu me pergunto onde fica o valor das coisas “de sempre”? Estou um pouco cansada de ter que inovar. Capricornianice minha, mas eu adoro um “rotinão”, repetições, tradições, coisas que simplesmente permanecem. As boas, obviamente. Mas esse negócio de inovar virou uma neura tão grande, que mesmo aquilo que é bom já não fica mais suficiente. É preciso rasgar tudo e começar do zero, o tempo todo e o tempo todo diferente. Muito diferente, cada vez mais diferente. Que chatice!

E eu não estou desmerecendo a importância das coisas, afinal depois que o meu trabalho passou para uma vertente, digamos, “mais criativa”, eu também estou nesse barco de fazer sempre “diferentão” (É quase um pecado querer repetir algo.) E eu concordo que por muitas vezes isso pode dar um resultado incrível. E não só no trabalho, mas na vida toda.

Eu só não acho que precisa ser nesse desespero todo. Coisas normais também são boas. O que me parece é que está todo mundo sempre pressionado a inventar um prato diferente, uma frase surpreendente, uma posição sexual nunca vista antes. E nem sempre precisa. Arroz e feijão continuam sendo a melhor coisa do mundo pra muita gente, um papai-e-mamãe bem feito às vezes é infinitamente melhor que trepar pendurado de ponta-cabeça no lustre, saca? Eu gosto do novo, mas eu defendo o Old School de qualidade com todas as minhas forças. 

sexta-feira, 16 de março de 2012

Ultrassonografia


E de repente você aparece. Assim, do nada, tanto tempo depois. Quando eu quase achava que você não existia mais. Quer dizer, existir eu sempre tive a certeza que você existiria para sempre. Mas lá, meio congelado. Não assim vivo. Mas você tá vivo. Porra, muito vivo! E é desesperador saber que você ainda vive.

Na verdade nem foi você que apareceu, né?! Foi aquela foto. E todo mundo achando legal, te desejando felicidade, alegrias e o escambau. E eu odiando o Mark Zuckerberg, desde o dia que ele nasceu. Rede social é uma merda. Antigamente era menos fácil saber das coisas. Portanto era mais fácil não lembrar do que se deve esquecer. Enfim, esse negócio de Facebook/Twitter/etc só fode a gente. Especialmente porque é mais forte que a gente. E olha que eu já aprendi esse tema com louvor há uns meses atrás. Enfim, odeio o Mark. Sua foto foi a primeira coisa que ele mostrou quando eu abri. Como se o Facebook tivesse poderes mediúnicos de saber que era exatamente a última coisa que eu deveria ver. Mas foi a primeira. E aí fiquei eu, idiota, olhando fixamente para a imagem, sei lá, uns cinco minutos. Ou dez. Ou meia hora, não faço idéia de quanto tempo passou. Lindo, lindo, mágico. E todo mundo te parabenizando. Eu, inclusive. Porque, né?! Tinha. Fiquei feliz para caramba por você. Você nem imagina o quanto. Não mesmo. Eu quero tanto, tanto, tanto que você seja feliz, que você nem sabe. E eu sempre quis. Nem que para isso eu não fosse tão feliz assim. Igual eu não fiquei, olhando a foto. Igual não ficarei, toda vez que eu lembrar disso. Igual eu não fui tantas vezes naqueles anos. Porque eu não vou mentir pra você não - aliás, como eu nunca menti - rolaram até umas lágrimas. Não por você, claro que não. É o melhor momento da sua vida e eu jamais poderia ficar triste com isso. Foi por mim, que mais uma vez fiquei triste para deixar você feliz. Porque eu queria uma solução para isso, afinal já faz tanto tempo, né? Naquele momento, eu queria fazer parte da imagem. Que ela fosse minha, literalmente. Que os parabéns também fossem pra mim. Ou que eu só ficasse feliz por você. E não ficasse nada por mim. E pudesse conviver com essa foto, normalmente, assim como todas as pessoas. Você feliz aí, eu feliz aqui e tudo bem. Com essas minhas confusões gostosas dos últimos tempos e diversões e argentinos e jornalistas e programadores e PAs de caráter duvidoso e personais meio antinhas, mas divertidos. E você aí, com as suas alianças e fraldas. Não seria mais fácil? Se você parasse de aparecer sempre quando eu quase acho que você não existe mais? Como eu disse, você precisa existir. Sempre. Só que cada vez mais longe, (do Facebook também de preferência), por favor.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Evolução espiritual

Existe aquela velha crença que se deve desejar o bem para atrair o bem. Acho isso lindo, e até acredito. Mas desculpa, isso é para gente com uma evolução espiritual que eu ainda não alcancei.

Acho admirável esse tipo de espírito evoluído, que emana boas energias a tudo e todos, que pensa positivamente e só agrega positividade ao Cosmos. Prometo tentar isso na próxima encarnação, afinal eu acho que essa tem sido para eu evoluir meu espírito para um outro patamar mesmo. Mas ainda não dá, foi mal aí. Meu pobre espírito já foi muito pior, confesso. O encosto e os karmas que ele carrega já foram bem piores, afinal eu devo ter aprontado bastante na vida passada. Mas ainda não cheguei nesse grau de purificação.

Minha alma é bem “humana”, digamos assim, e meus comportamentos bastante carnais. Sentimentos ruins são sentimentos ruins e ponto. Não dá para fingir que eles não existem. Vou sim, aparentemente até o fim desta vida, desejar mal a quem eu acho que merece o mal, ter raiva de quem me desperta raiva, ficar magoada com quem me magoa, querer me vingar de quem merece vingança.

Sim, tudo isso com parâmetros subjetivos obviamente, mas importante lembrar que capricornianice aqui sempre puxa para um realismo que chega a ser chato, então é capaz que eu tenha razão, most of times. E se eu não tiver, a vida vem e dá um tapão na minha cara, como já fez vez ou outra, não é um grande problema. E isso sim, faz parte da “evolução do espírito”, não essa coisa “Pollyanna” de achar o bom e o bem em tudo. Essa parte eu deixo para a próxima encarnação.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Pra fora da caixinha

Muito na moda essa expressão de “pensar fora da caixinha”, que virou slogan de propaganda e tudo nos últimos dias. E concordo, a gente precisa sair mesmo da nossa caixa para enxergar as coisas como elas realmente são e as coisas novas.
A zona de conforto, como o próprio nome diz, é muito boa. E aí acaba que a gente se esconde dentro da nossa “caixa”, apegados em um mundo vicioso e fake, na maioria das vezes.
Trabalho em um lugar campeão de encaixotar vidas. O que não é uma crítica, é apenas uma constatação. São inúmeras histórias, de gente que comprou móveis, comida e decorou a própria caixa, de tão confortável que é ficar lá dentro dela (Fazendo já minha mea culpa, que não tive coragem de abrir a “minha tampa” por tantas vezes nesse tempo lá). Essas tais caixas são muito atraentes, não dá para mentir.
Mas as vezes você começa com uma caixa escrito “trabalho”, por exemplo, e de repente você percebe que nessa caixa caiu tudo dentro. Seus amigos, seus relacionamentos, seu lazer, seus planos e todos os seus assuntos presos dentro de um mesmo espaço. Vira tudo uma coisa só dentro da caixa. A caixa fica toda bagunçada. Você meio que já não enxerga nada como realmente é, você vê tudo meio igual. Aliás, essa é a caixa mais traiçoeira com o resto da sua vida, a do trabalho.
Nesse momento é a hora de jogar a tampa para o alto e dar uma olhada lá fora, nas outras pessoas, de caixas, caras e assuntos diferentes. Trocar os discos, ouvir outras músicas, ir em outros lugares com gente que já conseguiu se libertar da sua própria caixa e olhar as coisas de um jeito diferente, querer diferente, agir diferente.
E só quem já foi conhecer “caixinhas” alheias sabe o quanto isso é bom. Mesmo que você não abandone sua caixa definitivamente e volte para dentro dela de vez em quando. Não precisa jogar a caixa fora. É só aprender a viver fora dela também.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Por filhos da puta de respeito!

Parece meio estranho e pouco correto, mas eu admiro as pessoas que são filhas da puta.
Não to dizendo gente que é “meio” filho da puta, que faz uma filhadaputagem ou outra, aqui e ali para se dar bem em cima dos outros. Esse eu acho um baita de um filho da puta mesmo! Tô falando de filhos da puta psicopatas, gente que é assumidamente cuzona, que possui como propósito na vida foder a vida dos outros e assume e vive isso!
Sem entrar no mérito das atitudes, eu acho isso admirável. Bater no peito e abraçar a responsabilidade – e o poder – de foder o que ou quem você acha que deve, e viver bem com isso.
E desculpa pessoas que acreditam em um mundo melhor: eles existem. Existem, estão aí por toda parte, na sua família, na sua empresa, ou namorando com você. E você não pode fazer nada contra isso. Essas pessoas não são filhas da puta à toa, isso envolve um poder conquistado por um trabalho de anos, e com certeza eles também já foram muito fodidos na vida, para chegar no “patamar” que chegaram. E como são psicopatas, encostam a cabecinha no travesseiro e dormem tranqüilos, pensando na próxima ação. Se essa abstração de qualquer sentimento humano não for admirável, eu não sei mais o que é.
Por outro lado, abomino os “meio filhos da puta”. Esses filhos da puta “de bom coração”, sabe?! E putz, esses estão em tooooodos os cantos.
Pior tipo de pessoa, que manipula, engana e mente a troco de ganhar alguma coisa em cima de alguém, achando que possui poder para isso. Mas não tem, por isso precisa fazer tudo isso, senão era só ir lá e foder os outros, como os fdps respeitáveis. O tipo de pessoa faz uma baita traição/filhadaputagem e depois diz “mas a intenção não era magoar ninguém!”. Oi??? Estes, por mim, queimariam no mármore do inferno, sofrendo bastante.  
E nós, mortais bobões, caímos na conversa desses filhos da puta de merda vez ou outra. De diversas maneiras. As mulheres sobretudo, sentimentalmente. E eis a pior sensação do mundo: ser “fodido” por uma pessoa quem nem competência para isso tem. E você sabe disso.
 Em 2012 meu desejo é só me foder por quem merece respeito.