Por mais
estranho que isso pareça as vezes, minha formação é em Educação Física e na
minha breve atuação em sala de aula, eu também já ouvi a pergunta clássica que
certamente todos os meus colegas de área escutaram alguma vez, a tradicional
"Além de dar aula você trabalha em que, professor?". Eis o mal
de trabalhar onde todo mundo “se diverte”.
Mas minha paranóia é dessa frase ao contrario. Sempre foi. Além de trabalhar você faz o quê? Sempre tive esse psiquê, acho que talvez de ver um pai se matando de trabalhar para nós, como foi o meu saudoso e exemplar pai. Apesar de achar respeitável tudo que ele fez, meu grande medo na vida é de ficar assim. (Filhos, sempre querendo fazer diferente dos pais, né?!) Mas é verdade. Eu nunca "só trabalhei". Me parece tão medíocre só fazer isso, saca?! Eu preciso de atividades paralelas. De periodicidade. De turma. De classe. E assim sempre foi. Eu sempre trabalhei + e alguma coisa. Estou a uma madrugada de terminar mais um curso, uma pós graduação, passo importante no meu currículo e uma baita realização, como pessoa. Claro, estou feliz e orgulhosa de mim mesma. E em pânico. Sim, pânico. Afinal é um vinculo que se vai, mais uma vez. Não tenho mais uma "classe", uma turma, tarefas para entregar que não sejam para o meu chefe. Não ter nenhuma obrigação fora meu próprio emprego me assusta. Sem filho pra criar, sem nada pra terminar, só com a medíocre obrigação de trabalhar pra pagar as contas, voltar pra casa e ver jornal nacional. Scary, como alguém consegue ser assim? Não quero, espero nunca não querer. Se é um mestrado, um curso de corte e costura, de tarot, historia da arte, ballet ou aulas de circo, eu não sei. Mas “Além de dar aula”, eu quero sempre alguma outra coisa.